Embaixada da República de Botsuana

Notícia

  • Publicação sobre Botsuana: Fonte: Revista Saber Cooperar/Sistema OCB.

    Intercooperação é o caminho:

    Cooperar é um verbo que deve ser conjunto no coletivo e mostra, na prática, que vale a pena somar forças para dividir resultados. Botsuana, país africano com uma das menores  densidades demográficas do mundo, economia ainda fragilizada e produção pouco  diversificada, tem sido o cenário de um trabalho que aposta nesse pode transformador do cooperativismo. Um projeto de cooperação baseado na troca de experiências, empreendido  pelo OCB com outras instituições brasileiras e o governo de Botsuana, promete mudar a realidade  daquela nação.

    A parceria entre os dois países começou ainda em  2005, com a assinatura de um acordo bilateral voltado a capacitação de lideranças cooperativistas e de representantes  de órgãos reguladores e promotores do cooperativismo  no país africano. O objetivo?  Investir  em ações  de transferência de conhecimento ajustando  a realidade local  à expertise e ao conhecimento brasileiro sobre a prática  da cooperação, modelos de gestão e percepção de comercialização.  Essa força tarefa deu origem, em março de  2010, à iniciativa “Fortalecimento do Cooperativismo e Associativismo Rural em Botsuana, financiada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC, órgão vinculado  ao Ministério das  Relações Exteriores) e executada pela OCB, com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).

    A gerente de Relações Institucionais  da OCB, Fabíola Nader, ressalta  a importância de estruturar  um projeto dessa natureza em um país como Botsuana e a consequente promoção do desenvolvimento agrícola: “Nossa  intenção é  apresentar o cooperativismo como um caminho  para esse desenvolvimento, um processo  que vai  empoderar produtores,  posicionando-os  de forma autossuficiente e sustentável A ideia é que  eles sejam replicadores  do modelo  cooperativista do país, e que os agentes governamentais incluam a prática do cooperativismo  na formação de políticas públicas locais.

     Nos últimos dois anos, essa troca de experiência ficou ainda mais intensa, trazendo resultados concretos. O desafio  de disseminar o modelo de negocio cooperativo para ajudar os agricultores locais a trabalharem com  uma produção  organizada e se colocarem no mercado tem sido cumprido. Desde  2014, ao longo  de três visitas  à República de Botsuana, representantes do Sistema OCB, e da Embrapa  tem ministrado cursos sobre gestão e planejamento  em cooperativas e pós-colheita em hortaliças, respectivamente, a partir  das experiências vivenciadas no Brasil. A constituição da Sociedade de Comercialização dos Produtores de Hortaliças de Kweneng Norte, em novembro de  2015, é resultado do projeto.



    Produção e consumo

    Com  a colaboração do governo de Botsuana, foram identificados  produtores com o perfil cooperativista -  conhecedores  do mercado e das principais dificuldades para empreendimentos dessa natureza. Após esse mapeamento, desenharam-se planos de trabalho e de negócios.  A gerente  de Desenvolvimento Social do Siscoop, Geâne Ferreira, que esteve presente  em todas as missões  ao país, em abril deste ano, reforça: “Nosso grande propósito é estimular a produção e o consumo interno, de modo sustentável e continuado, já que  Botsuana ainda precisa importar alimentos. Segundo ela, a receptividade ocorreu em todas as etapas. Neste ano,  em início dias in loco, a abordagem foi mais no sentido da gestão cooperativista, já que eles tem uma carência de conhecimento e conteúdo  sobre o tema, comtempla.

    Entre as demandas expostas, destaca-se  a necessidade de enfrentar as dificuldades no armazenamento e transporte da produção, tendo em vista que os itens são comercializados no mercado central da capital do país, que ainda não alcançou autossuficiência na produção de alimentos. Com a  cooperativa estruturada e operante as famílias e os associados potencializarão seus ganhos, passando a assumir de forma adequada e conjunta o transporte das suas próprias colheitas. A ideia é ainda, encontrar  um local apropriado para centralizar a coleta da produção dos cooperados.



    Cooperados

    As capacitações foram voltadas aos cooperados da Sociedade Cooperativa de Comercialização dos Produtores de hortaliças de Kweneng Norte, que conta com 14 famílias cooperadas. Participaram  também membros  do Ministério das Relações Exteriores, Agricultura e Comércio, além de professores  da Escola Superior  de Cooperativismo de Botsuana. Os cooperados  integraram  ainda uma série  de visitas técnicas  a órgãos públicos, embaixadas  e propriedades rurais.

    Geâne reitera o interesse  do grupo que tem  participado da capacitação, demostrado em todas as atividades, em sala de aula e nas visitas técnicas, levantando  questões pertinentes  sobre o  funcionamento e a gestão  das cooperativas: “Nossa expectativa é que esse  comprometimento e envolvimento  por parte  dos produtores resultem na viabilização do plano  de trabalho que construímos de forma colegiada e participativa.

    Com previsão de mais uma visita de caráter avaliativo, programada para o início de  2017, a ideia é trazer  dessa experiência um modelo para as demais cooperativas do país. O processo  segue, explica a gerente, respeitando as especialidades de cada uma das cooperativas.

    Parceria de Sucesso

    Para o presidente da Sociedade Cooperativa de Comercialização dos Produtores  de Hortaliças de Kweneng Norte,  Kasigo Obi Nkago, as ações conjuntas  são primordiais. Não dá para trabalhar sozinho, avalia. É fundamental termos um grupo único, unido, com diagnóstico e metas claras, a partir das nossas expectativas produtivas e  econômicas. O que eles mais desejam, reforça  o líder, é comercializar a própria produção. Nosso principal desfio é o mercado, afinal o produto final esperado é o retorno financeiro.

     Nkago também elogia o projeto de intercooperação: “ Foi fantástico a OCB ter destacado  representantes para virem aqui nos ensinar sobre o modo de planejar, gerir e construir uma cooperativa. Pretendemos ir longe com essas informações.  E que  a OCB e o Brasil continuem empoderando a África.



    País de tradição agropecuária

    Localizado na região sul da África. Botsuana tem  39% dos  2 milhoes de habitantes vivendo  na zona rural. Sua extensão equivale ao estado da Bahia, mas com  85% do seu território cobertos pelo  deserto  do Kalahari. Do total populacional,  81% são analfabetizados.

    A capital, Gaborone, é a maior cidade do páis, Sua economia se baseia fortemente na pecuária, bem como na produção de sorgo, milho, feijão, girassol e amendoim. Também são  consideráveis as extrações de diamantes, cobre, níquel, sal, carbonato de potássio, carvão, ferro, prata e produção têxtil.

    Os ramos mais  representativos da vocação cooperativista no país são credito, produção e  consumo. Há ainda dois outros ramos que não existem no Brasil: multi-porpose, responsável pelo suprimento de commodities  e serviços agrícolas; e marketing, com a finalidade de proceder  as prospecções de mercados e liberação de crédito para produção.

    No primeiro diagnóstico da missão, em  2011, os delegados atestaram grandes  deficiências na gestão de negócios conduzidos pelos botsuaneses, além de uma resistência à cultura  do cooperativismo e pouco apoio governamental para o desenvolvimento dos novos projetos. Em documento elaborado para subsidiar o projeto, o próprio  governo admitiu que as organizações  agropecuárias de Botsuana – necessitam de um substantivo aporte técnico para a expansão produtiva.

     A ação bilateral está trabalhando exatamente no sentido  de ampliar não apenas esse aporte, mas também, e principalmente, a dimensão cooperativista. Aí se incluem  a aquisição de conhecimentos  apropriados para a gestão compartilhada  e participativa de negócios, a percepção para o comércio e a capacidade organizativa dos produtores. Tudo para conferir a eles um autonomia administrativa e possibilidades criativas e sustentáveis de gestão, bem como  representatividade e legitimidade junto ao mercado e ao país.

    O modelo cooperativista traz uma proposta de construção coletiva  pautada em valores como solidariedade, sustentabilidade e responsabilidade social e pode mudar realidades atuando  como um verdadeiro potencializador econômico e social. Esse é o nosso  objetivo  em Botsuana, transformar a realidade local, destaca João Martins, analista de  Relações Institucionais da OCB, que também vem acompanhando de perto o projeto.

    Fonte: Revista Saber Cooperar/Sistema OCB.